Sempre que alguém me ama. Ou sempre que estou ao lado de alguém sinto que estou a viver a vida de outrém. Há momentos em que nada me parece real.
Uma ilusão.
Este sentimento escalou para todos os vértices da vida.
Nada parece real.
Vivo numa bolha em que me observo a agir, a falar, a interagir.
O que faço, o que falo tudo não está de acordo com o que penso.
Sem controlo sobre o meu ser material.
Apenas quero estar numa praia longinqua, a pintar e olvidar toda a existência.
Quando te sentes só.
Abraça-te e leva-te a passear pelo infinito.
Desliga-te da absurdidade da vida.
Não te preocupes com a inexistência de um significado inerente.
Abraça o principio da explosão.
Prova que possível e impossível são a mesma palavra.
E um dia partilharás as descobertas desse universo alternativo em que te encontras. Em que a beleza que tu vês, simplesmente não se enquadra no universo dos restantes.
E um dia, dirás a esse ser que transpôs a barreira do surreal.
"Observa aquele reflexo do sol na relva. Quase faz o mundo parecer real."
E então apenas precisarás de um mão para conquistar o mundo, pois a outra estará a segurar essa divindade que te acompanhará.
E acordo com um grito
Seguido de barulhos de mercado
E tudo isto debaixo da minha almofada.
Apenas com a notícia de que o resto do mundo é fraco.
E que eu sou a única luz a iluminar o meu caminho.
