Sim de facto há uma liberdade assustadora na apatia.
Ultimamente tenho sido invadido por uma pequena grande onda de apatia. Mas não é só apatia, é a conclusão de um nihilismo profundo nomeadamente relativo às pessoas. Não interessam.
Ora vejamos, já passaram e já foram. O tempo passa e aquilo que ontem era real, hoje é uma mera sombra. Tomando o exemplo da faculdade, os caloiros vêm e enfim desaparecem. Esta nova geração de 91/92 faz-me confusão. Estavam eles a nascer e andava eu a dançar a lambada nas praias de Troia. Quero acabar o curso, tenho-me focado em acabar e por-me a milhas desta mentalidade lisboeta.
Tendo conhecido o Josh, o meu companheiro das noites de deboche italiano, fiquei com a noção de que não só sou estrangeiro em Portugal como sou estrangeiro de grande parte das pessoas. E se já dantes me marcavam apenas temporariamente, agora a pincelada que deixam na tela da minha vida quase que é feita com éter. Evapora-se.
E é nisto que vem a minha liberdade.
Não me interessam.
Daqui a meses desaparecem. Já foram e memórias uma pessoa tem sempre.
Tudo bem, como diz a mentalidade europeia não somos obras originais mas sim uma amalgama de experiências e pessoas que por nós vão passando. Mas, talvez apenas ultimamente, não tenho sentido qualquer tipo de construcção da minha pessoa com estas sombras que por Lisboa pairam.
A conversa que tive com o arrumador de carros daquela ruazinha perpendicular à Praça do Chile teve o mesmo significado que as tantas outras dessa noite. Daqui a quatro horas estarás de volta a casa, amanhã será outro dia, depois conversarás, voltarás a casa.
Não é que seja rotina, não é. É como se tudo fosse tão belo que já nada tem graça. Tenho tanto prazer olhar para uma barra de ferro enferrujado à beira da estrada como ficar na praia a contemplar o pôr do sol como fiz hoje. É tudo parte do mundo. É tudo parte de uma enorme tela com que vou pintando com as minhas cores distorcidas.
Mas no fundo no fundo. É tudo mais do mesmo.
Quero ser transportado para o desconhecido.
Ultimamente tenho sido invadido por uma pequena grande onda de apatia. Mas não é só apatia, é a conclusão de um nihilismo profundo nomeadamente relativo às pessoas. Não interessam.
Ora vejamos, já passaram e já foram. O tempo passa e aquilo que ontem era real, hoje é uma mera sombra. Tomando o exemplo da faculdade, os caloiros vêm e enfim desaparecem. Esta nova geração de 91/92 faz-me confusão. Estavam eles a nascer e andava eu a dançar a lambada nas praias de Troia. Quero acabar o curso, tenho-me focado em acabar e por-me a milhas desta mentalidade lisboeta.
Tendo conhecido o Josh, o meu companheiro das noites de deboche italiano, fiquei com a noção de que não só sou estrangeiro em Portugal como sou estrangeiro de grande parte das pessoas. E se já dantes me marcavam apenas temporariamente, agora a pincelada que deixam na tela da minha vida quase que é feita com éter. Evapora-se.
E é nisto que vem a minha liberdade.
Não me interessam.
Daqui a meses desaparecem. Já foram e memórias uma pessoa tem sempre.
Tudo bem, como diz a mentalidade europeia não somos obras originais mas sim uma amalgama de experiências e pessoas que por nós vão passando. Mas, talvez apenas ultimamente, não tenho sentido qualquer tipo de construcção da minha pessoa com estas sombras que por Lisboa pairam.
A conversa que tive com o arrumador de carros daquela ruazinha perpendicular à Praça do Chile teve o mesmo significado que as tantas outras dessa noite. Daqui a quatro horas estarás de volta a casa, amanhã será outro dia, depois conversarás, voltarás a casa.
Não é que seja rotina, não é. É como se tudo fosse tão belo que já nada tem graça. Tenho tanto prazer olhar para uma barra de ferro enferrujado à beira da estrada como ficar na praia a contemplar o pôr do sol como fiz hoje. É tudo parte do mundo. É tudo parte de uma enorme tela com que vou pintando com as minhas cores distorcidas.
Mas no fundo no fundo. É tudo mais do mesmo.
Quero ser transportado para o desconhecido.
