Redução ao absurdo

10/18/2009 01:31:00 AM / Whispered by RK / oscilações (1)

Sim de facto há uma liberdade assustadora na apatia.

Ultimamente tenho sido invadido por uma pequena grande onda de apatia. Mas não é só apatia, é a conclusão de um nihilismo profundo nomeadamente relativo às pessoas. Não interessam.
Ora vejamos, já passaram e já foram. O tempo passa e aquilo que ontem era real, hoje é uma mera sombra. Tomando o exemplo da faculdade, os caloiros vêm e enfim desaparecem. Esta nova geração de 91/92 faz-me confusão. Estavam eles a nascer e andava eu a dançar a lambada nas praias de Troia. Quero acabar o curso, tenho-me focado em acabar e por-me a milhas desta mentalidade lisboeta.
Tendo conhecido o Josh, o meu companheiro das noites de deboche italiano, fiquei com a noção de que não só sou estrangeiro em Portugal como sou estrangeiro de grande parte das pessoas. E se já dantes me marcavam apenas temporariamente, agora a pincelada que deixam na tela da minha vida quase que é feita com éter. Evapora-se.
E é nisto que vem a minha liberdade.
Não me interessam.
Daqui a meses desaparecem. Já foram e memórias uma pessoa tem sempre.
Tudo bem, como diz a mentalidade europeia não somos obras originais mas sim uma amalgama de experiências e pessoas que por nós vão passando. Mas, talvez apenas ultimamente, não tenho sentido qualquer tipo de construcção da minha pessoa com estas sombras que por Lisboa pairam.
A conversa que tive com o arrumador de carros daquela ruazinha perpendicular à Praça do Chile teve o mesmo significado que as tantas outras dessa noite. Daqui a quatro horas estarás de volta a casa, amanhã será outro dia, depois conversarás, voltarás a casa.
Não é que seja rotina, não é. É como se tudo fosse tão belo que já nada tem graça. Tenho tanto prazer olhar para uma barra de ferro enferrujado à beira da estrada como ficar na praia a contemplar o pôr do sol como fiz hoje. É tudo parte do mundo. É tudo parte de uma enorme tela com que vou pintando com as minhas cores distorcidas.
Mas no fundo no fundo. É tudo mais do mesmo.

Quero ser transportado para o desconhecido.

We have to talk about Kevin

10/15/2009 03:47:00 PM / Whispered by RK / oscilações (2)

Não havia nenhuma extravagância que não acabasse por correr mal, porque seria finita e fixa, uma coisa e não outra. Só seria o que era.
A verdade é que não saberia o que me aconteceria quando o Kevin estivesse pela primeira vez encostado ao meu seio. Não tinha antecipado nada exactamente. Eu queria aquilo que não podia imaginar. Queria ser transformada; queria ser transportada. Queria que uma porta se abrisse e toda uma nova paisagem se expandisse diante de mim e eu nunca tivesse sabido que existia. Não queria nada que não fosse como uma revelação, e a revelação por definição, não pode ser antecipada; promete aquilo sobre o qual nada sabemos. Mas se extraí alguma lição daquele decepcionante aniversário dos meus dez anos foi a de que as expectativas são perigosas quando são simultaneamente elevadas e não formuladas.

Em conclusão. и

reborn post

10/13/2009 04:40:00 PM / Whispered by RK / oscilações (5)

E o alvo das palavras já não sou eu. Faz parte da dança.

It takes two to tango

Tu cherches quoi, rencontrer la mort. Tu te prends pour qui, toi aussi tu detestes la vie. Dans sa chambre, un regard sur ses fringues, sur les murs, des photos, sans regret, sans mélo. La porte est claquée.